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O equilíbrio entre o fazer e o ser

Vivemos numa época em que o “fazer mais” se tornou o novo normal. Fazer mais, produzir mais, mostrar mais… e, quando damos por isso, o dia passou, a semana passou, o ano passou, e ficamos com a sensação de que estivemos sempre numa roda-viva, com a cabeça ocupada, mas poucas vezes verdadeiramente presentes.


Acredito que tu, tal como eu, foste habituada a associar produtividade a crescimento. Fomos ensinadas a acreditar que quanto mais fizéssemos, mais o nosso negócio e a nossa vida avançariam e prosperariam. No entanto, há momentos em que, mesmo quando tudo parece estar a correr bem, surge uma inquietação, uma vontade silenciosa de parar, respirar e perceber se o caminho que estamos a seguir ainda faz sentido. Estarei no rumo certo? Deveria mudar algo? Tentar uma nova estratégia? Fazer diferente?


Estas perguntas aparecem quando te permites parar e regressar a ti. Quando decides abrandar, desligar o ruído à tua volta e escutar o que está dentro de ti. Às vezes penso que o verdadeiro crescimento está precisamente aí, neste espaço onde o silêncio ganha voz e onde deixas de correr por fora para começares, finalmente, a ouvir o que se passa por dentro. É preciso coragem para reconhecer que, por vezes, o melhor que podemos fazer é simplesmente parar.


O ciclo do fazer 


É importante lembrar que não estás sozinha neste sentimento. Muitas mulheres vivem este mesmo ciclo entre o fazer e o ser. Há uma geração inteira a tentar encontrar equilíbrio entre o propósito e a produtividade, entre a entrega e o descanso, entre o servir e o cuidar de si. Deixa-me dizer-te que não é fraqueza sentir cansaço, nem é falta de ambição querer abrandar. Este é, na verdade, um ato profundo de consciência e de amor-próprio.


Tenho reparado que, mesmo quando estamos a construir algo bonito, continuamos a duvidar do nosso valor. Abrimos o Instagram e, quase sem perceber, começamos a comparar-nos com quem parece estar mais avançada, com quem comunica melhor, com quem tem resultados mais visíveis... Somos rápidas a celebrar os outros, mas lentas a reconhecer o que já conquistámos. Vivemos com a sensação de que nos falta algo, como se estivéssemos sempre “quase” lá. 


A verdade é que esta comparação silenciosa afasta-nos do essencial: cada uma de nós tem o seu tempo, o seu ritmo e o seu caminho. Não existe ninguém igual a nós e é precisamente esta singularidade o que nos torna tão especiais.

Quando foi a última vez que paraste para olhar para tudo o que já criaste? Para o caminho que percorreste com coragem, para as vitórias discretas que só tu sabes o quanto custaram?


Duvidamos constantemente do nosso valor, não porque ele não exista, mas porque olhamos demasiado para o lado e pouco para dentro. Talvez o verdadeiro equilíbrio entre o fazer e o ser comece aí, quando deixamos de nos comparar e passamos a reconhecer, com ternura e por vezes com coragem, o lugar onde estamos.


Onde está o propósito?


Com o tempo vou percebendo que o ritmo acelerado e a necessidade de entregar mais nos colocam num ciclo que parece interminável. Fazemos, respondemos, produzimos e, sem perceber, sentimo-nos assoberbadas e afastamo-nos daquilo que realmente nos move. 


A produtividade, quando não é acompanhada de propósito, transforma-se num ruído constante. E não deixa de ser curioso como muitas vezes só percebemos isso quando o corpo pede descanso, quando a energia já não flui da mesma forma ou quando o entusiasmo cede lugar à exaustão.


Na minha busca incessante por propósito, disseram-me uma vez que o propósito é o que farias amanhã se estivesses confortável e não precisasses de pensar em dinheiro. E esta frase ficou comigo. Não porque me tenha dado uma resposta, mas porque me fez parar e perguntar algo que já não me perguntava há muito tempo: estou a fazer aquilo que realmente me dá prazer, ou apenas a seguir o ritmo que o mundo impõe?


E talvez também tu já tenhas sentido esta mesma dúvida. Aquela sensação de estar a fazer tudo certo, mas ainda assim sentir que algo dentro de ti pede mais sentido, mais leveza, mais espaço, e é natural. Acredito que o crescimento acontece nestes momentos em que o que o desconforto se instala, e o que parecia estável começa a pedir transformação. Para mim isto não é sinal de instabilidade, mas sim de evolução.


Hoje tento não olhar para o propósito como uma meta, mas sim como um estado de presença. É quando o que fazes e o que és caminham na mesma direção. Quando te afastas disso, o corpo sente antes da mente. Fazer menos não é desistir, é escolher com intenção, é confiar que não é preciso fazer tudo ao mesmo tempo, nem seguir tudo o que os outros dizem que deves fazer. Às vezes, o verdadeiro sucesso está em simplificar e criar espaço.


Aceitar, confiar e libertar


Sempre fui uma pessoa organizada. Gosto de planear, de ter estrutura, de sentir que existe ordem no meio do caos. A organização dá-me tranquilidade e ajuda-me a estar presente. Mas aprendi que nem sempre conseguimos, nem devemos, fazer tudo sozinhas. Por mais que o negócio e a vida estejam sob controlo, há momentos em que é preciso reconhecer que já não conseguimos ver tudo com clareza e que a melhor decisão é pedir ajuda.


Procurar ajuda, ou delegar, não é sinal de fraqueza, é sinal de consciência. É reconhecer que há outras formas de ver, de pensar e de agir, e que uma nova perspetiva pode trazer soluções que sozinhas talvez não encontrássemos.


Com o tempo, aprendi também a aceitar que nem tudo vai ser exatamente como imaginei. Que os erros fazem parte do processo, e que entregar o controlo pode ser libertador. Quando confio noutra pessoa, estou a abrir espaço para que o meu próprio ritmo se torne mais leve. 


Quando aceito que nem tudo precisa de estar perfeito, encontro mais serenidade para viver, criar e deixar o meu propósito respirar.



O poder de abrandar


Com o passar do tempo acabo por defender com mais certeza de que menos é mais: 

  • Menos ruído, mais foco; Menos pressa, mais intenção;

  • Menos esforço, mais presença.


E este “menos” não vem da falta, mas sim da escolha. É a minha escolha de abrandar, e não deixar que a agenda dite o ritmo da minha alma.


Abrandar é escutar, e quando escutamos, percebemos o que já não nos serve, o que ainda nos inspira e o que está pronto para ser libertado.


Talvez o equilíbrio que tantas vezes procuramos não esteja em fazer mais, mas em fazer com mais consciência. Talvez o nosso negócio não precise de novos planos, mas de mais espaço para respirar, e talvez o próximo passo não seja “fazer”, seja simplesmente “ser”.


E é curioso perceber que, quando nos permitimos ser, tudo o resto começa, pouco a pouco, a alinhar-se. As decisões tornam-se mais leves, as escolhas mais claras e até o ritmo do trabalho se torna mais natural. Porque produtividade sem propósito é só movimento, mas produtividade com alma é transformação.


E é aí que a verdadeira pergunta se revela, aquela que te convida a regressar ao essencial, àquilo que te move e te dá sentido:

✨ E tu, o que farias amanhã se estivesses confortável e o dinheiro não fosse um problema?


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Autora:

Sara Alves é Assistente Virtual especialista em apoio administrativo e comercial. Apaixonada por ajudar empreendedores a atingirem resultados alinhados com o seu propósito, ajuda-os a criar tempo para o que realmente importa, sem nunca perder o toque humano.

 
 
 

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