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ACADEMIA FLOW: O dia em que percebi que não era a casa que estava desorganizada — era eu.

Atualizado: 17 de dez. de 2025

Houve um dia — não um grande dia, não um acontecimento marcante, apenas um dia comum — em que cheguei a casa, larguei a mala no chão e… fiquei ali parada.

A casa parecia igual. O mesmo corredor. As mesmas coisas por arrumar. O mesmo cansaço a escorrer pelos ombros.

Mas eu não estava igual.

Foi como se, por um segundo, eu me tivesse visto de fora: a correr sempre, a decidir sempre, a cuidar sempre… e a mim, muito pouco. Era como se o meu corpo estivesse a cumprir horários, listas, expectativas — e a minha alma estivesse a alguns passos atrás, a pedir: espera por mim.

Naquele dia, não chorei. Não me queixei. Não fiz nada dramático.

Mas senti um vazio silencioso. Um aviso. Um desalinhamento tão subtil quanto profundo.

E foi aí que percebi: a casa não estava desorganizada porque eu era desorganizada — estava desorganizada porque eu já não estava em mim.



“O mundo precisa de mais FLOW”, escrevi mais tarde. Mas naquela altura, era sobretudo eu que precisava.


E a verdade é que, antes de haver método, antes de haver Academia, antes de haver estrutura… houve uma mulher cansada de se perder de si mesma.


Comecei por pequenas coisas: tirar uma manta do sofá, mudar um objeto de lugar, acender uma vela, abrir a janela mesmo quando o dia estava cinzento.

Foi aí que descobri algo que a ciência já provava há anos — mas que eu nunca tinha sentido na pele: o nosso sistema nervoso responde ao ambiente como responde às emoções. E, às vezes, uma mudança no espaço devolve-nos partes inteiras de nós.

A casa é um espelho. E eu finalmente comecei a olhar.



Foi nesse período que entendi que o Feng Shui nunca foi sobre decoração. É sobre devolução.


Devolução de presença. De energia. De intenção. De ritmo.

E notei outra coisa: quanto mais me alinhava por dentro, mais a casa parecia respirar comigo.

Não era magia.E não era coincidência.

Estudos de neuroarquitetura demonstram exatamente isto — que o ambiente harmonizado reduz ruído mental, acalma o sistema nervoso, aumenta foco e liberta espaço cognitivo.

Mas, para mim, não era ciência na altura. Era sobrevivência.


Foi assim que comecei a criar o que mais tarde se tornaria o Método FLOW — os quatro pilares onde tudo aquilo que eu precisava se encontrava: Feng Shui, Lifestyle, Organização e Bem-estar.


Primeiro, criei para mim.


Depois, para quem me rodeava.


Só mais tarde percebi que havia muitas mulheres a viver o mesmo descompasso — o mesmo corpo que corre e a mesma alma que fica para trás.


Um dia, sem planear, percebi que o que eu estava a reconstruir era uma casa interior — e ela merecia ter portas abertas para outras mulheres.


A Academia FLOW nasceu desse lugar. Não nasceu de uma ambição. Nasceu de uma necessidade — minha e de tantas mulheres que cruzei pelo caminho, cada uma carregando o seu próprio desalinhamento.


Quando escrevi na apresentação que a Academia era “um espaço onde o interior e o exterior se alinham e onde o teu lar começa a fluir contigo” estava a escrever sobre mim. Sobre quem eu tinha sido. Sobre quem voltei a ser.


O processo é simples, mas nunca é fácil:

para que a casa mude, a mulher tem de mudar primeiro.


E isso não se faz em dias. Faz-se em camadas. Em pequenos rituais. Em escolhas intencionais. Em perguntas que doem e que libertam.


Perguntas como:– O que na minha vida está a ocupar espaço que já não me pertence?O que preciso de admitir para voltar a respirar?Quem sou eu quando o ruído desaparece?O que a minha casa revela sobre a mulher que me tornei… e sobre a mulher que quero ser?


Estas perguntas moldaram o coração da Academia FLOW, mesmo antes de ela existir formalmente.


Nunca quis criar um curso.

Quis criar um ponto de regresso.

Um espaço seguro, lento, intencional — exatamente o contrário do mundo lá fora. Algo que não prometesse transformar vidas por magia… Mas que devolvesse à mulher o poder de se transformar, ao seu ritmo.


E quanto mais eu aprofundava este caminho, mais via o impacto: No olhar das mulheres que finalmente se permitiam abrandar. No sorriso de quem encontrava clareza. No alívio de quem dizia “não sabia que estava tão cansada”. Nos testemunhos que hoje guardo como lembretes de que este movimento é maior do que eu.



Hoje, quando entro na minha casa, sinto que ela respira comigo.


Porque finalmente aprendi a respirar comigo também.

E talvez este artigo não te dê respostas — não é suposto.

Talvez até te deixe com um leve desconforto, aquele “preciso de me reencontrar”, aquele “não posso continuar neste ritmo”.

Mas se ele abriu uma fresta na tua rotina…se tocou naquela parte de ti que tens guardado no fundo da prateleira…então já começou.

A tua casa está a tentar dizer-te algo. E tu, talvez, finalmente estejas pronta para ouvir.


Com carinho,

Paula Neto FLOW


 
 
 

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