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Amor-próprio na maternidade: reencontra-te para viveres com mais leveza

Ser mãe é talvez dos papéis mais bonitos da vida de uma mulher e, ao mesmo tempo, tão desafiante. No meio de fraldas, consultas, noites mal dormidas e a constante tentativa de estar presente para tudo e para todos, há algo que muitas vezes fica esquecido: tu.

Quantas vezes sentes que te colocas em último lugar? Que cuidar de ti é egoísmo? A verdade é que a maternidade não precisa ser sinónimo de sacrifício, de te esqueceres de ti. Pelo contrário, quando cuidas de ti, estás a cuidar do teu filho.

Neste artigo, quero partilhar contigo sobre como podes integrar o autocuidado no teu dia a dia, mesmo nos momentos mais exigentes, e como isso pode transformar não só a tua vida, mas também a relação com o teu filho.





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  1. O mito da “boa mãe”

    Fomos ensinadas a acreditar que “uma boa mãe” é aquela que está sempre disponível, que abdica das próprias necessidades em nome dos filhos e da família. Muitas de nós, enquanto crianças, assistimos às nossas mães a viverem exclusivamente em função dos filhos, do trabalho, da casa, sendo que isto era algo socialmente valorizado. Esta visão romântica de sacrifício constante parece nobre, mas, na prática, leva à exaustão, frustração e muitas vezes, ao ressentimento. Quando esqueces a tua identidade para seres apenas mãe, corres o risco de te desconectares de quem és e do que te dá sentido para além da maternidade. Ao permitirmos que sejamos a prioridade, ao criarmos limites daquele que é o nosso espaço e ao mostrarmos aos nossos filhos que também nos amamos e por isso cuidamos de nós, estamos a ensiná-los que amarem-se é essencial para conseguirem amar os outros e estamos a dar-lhes um exemplo concreto de como isso se faz. 


  1. Amor-próprio como exemplo saudável para os teus filhos


O que os teus filhos aprendem contigo vai muito além das palavras. Eles absorvem a forma como cuidas (ou não) de ti. O amor-próprio é um nutriente essencial na nossa vida. E quando o colocas em ação, mostras que:

  • É saudável colocar limites e dizer “não” quando necessário.

  • O descanso é tão importante quanto qualquer outra tarefa.

  • O corpo merece respeito, carinho e cuidado.

  • As emoções são importantes e merecem espaço para serem vividas.

E começa em ti! O teu filho observa-te e modela-te a cada instante, inconscientemente, através dos seus neurónios-espelho. Não é o que lhe dizes, é o que fazes!


  1. Pequenas práticas de amor-próprio


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Não precisas de te colocar de imediato em primeiro lugar, assim como não necessitas de começar logo por períodos mais longos dedicados a ti se isso não te deixa confortável. Aqui ficam algumas ideias simples para incluir no teu dia:

  • Momentos de equilíbrio: pode ser uma chávena de chá em silêncio por 5 minutos; um banho mais demorado; alguns minutos de respiração consciente.

  • Nutrição com presença: faz pelo menos uma refeição sem pressa, sentindo e saboreando os alimentos.

  • Movimento: escolhe uma atividade física que te faça sentir bem, seja uma caminhada, alongamentos ou dança.

  • Rede de apoio: identifica as pessoas capazes de te darem apoio e para cada uma dessas pessoas, define o tipo de apoio que te poderiam dar e as necessidades a que poderiam responder (por exemplo: ir buscar as crianças à escola).

  • Autocompaixão: substitui a autocrítica por um discurso mais gentil. Fala contigo como falarias com a tua melhor amiga.


  1.  Superar a culpa materna


Nasce um bebé, nasce uma mãe e com eles nasce a culpa. A maternidade é um grande gatilho da culpa e do ressentimento. É a voz interna que diz “não estás a fazer o suficiente” ou “se cuidas de ti, estás a falhar com eles”. Mas a verdade é que essa lógica é injusta e insustentável. Quando cuidas de ti, ganhas energia, paciência e presença para viver a maternidade com mais prazer e menos sobrecarga. 


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Libertar-te da culpa passa por aceitares que estás cansada, és uma mãe real e que atingiu o seu limite. Reconhecer que o amor-próprio não é egoísmo, é autocuidado consciente. És a única responsável por cuidar de ti, da tua vida e isso não é um ato de egoísmo, é um ato de coragem. É assim que cultivas o amor-próprio.


A maternidade é um convite constante à entrega, mas também pode ser uma oportunidade de reencontro contigo. Ao praticares o amor por ti, estás a criar raízes firmes para que possas crescer como mulher e como mãe, sem que um papel anule o outro.

Quando te permites descansar, dizer não, pedir ajuda e cuidar de ti, estás a ensinar aos teus filhos que o amor começa dentro de casa e a primeira casa é o nosso próprio corpo e coração.

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Hoje, desafio-te a parar alguns minutos e pergunta-te: o que preciso agora para me sentir nutrida e em paz? Pode ser algo simples, mas que, repetido diariamente, vai-te devolver energia, leveza e presença.


Lembra-te: somos mães, somos mulheres e é importante que este nosso lado nunca se perca.


Os filhos não são nossos, são do mundo, crescem e tornam-se pessoas autónomas, por isso é tão importante que nunca esqueçamos as nossas necessidades enquanto mulheres. Isso não nos fará piores mães, mas sim mães felizes e equilibradas.


Transforma esta reflexão em ação: qual será o teu primeiro passo para cuidares mais de ti todos os dias?




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